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No pain, no gain: Será que na Deep Tissue e Liberação Miofascial a pressão forte é sempre melhor?

há 5 minutos
6 min de leitura

NO PAIN, NO GAIN. Essa frase é quase um mantra para aquelas pessoas que treinam em busca de hipertrofia. É como se a dor decorrente dos treinos fosse o ônus para o resultado final.


De fato, a dor pós-treino está atrelada ao ganho de massa muscular. O rompimento das fibras musculares induzido pelos exercícios faz com a sensação de dor apareça algumas horas depois e permaneça por algum tempo.


Agora, quando falamos de sessões de massagem com técnicas como Deep Tissue ou Liberação Miofascial, será que a lógica é a mesma?


Muitas pessoas chegam em nosso espaço acreditando que, para a massagem realmente "desfazer" um nó ou resolver uma dor crônica, a pressão precisa ser quase insuportável. Existe a ideia popular de que o terapeuta precisa "esmagar" o músculo ou "romper" as aderências da fáscia na força bruta.


Mas será que a massagem precisa doer para funcionar? A ciência moderna mostra que não. Na verdade, sentir dor excessiva durante a sessão pode gerar o efeito exatamente oposto ao que você deseja.


Continue a leitura que você vai entender por que a pressão mais forte nem sempre é a melhor escolha, como o seu cérebro reage ao toque e por que o relaxamento é o verdadeiro segredo para liberar as tensões do corpo.


O Mito do "Esmagamento" da Fáscia

Para entender por que somente a força bruta não é a solução de todos os problemas, primeiro vamos falar sobre a fáscia. A fáscia é uma teia de tecido conjuntivo que envolve e conecta todos os nossos músculos, ossos e órgãos, como uma segunda pele interna.


Aliás, você lembra das aulas de Biologia e da informação que a pele é o maior órgão do nosso corpo? Apesar desse conceito ainda ser válido, vários cientistas e anatomistas atualmente defendem que a fáscia devia ser considerada o maior órgão, dada a sua magnitude. Mas vamos voltar ao que estávamos falando.


Durante muito tempo, acreditou-se que a fáscia era como uma massa de modelar rígida e que através do uso da força, o terapeuta conseguia alterar a sua forma, Porém, um estudo biomecânico liderado pelo pesquisador Dr. Chaudhry (2008) colocou essa ideia à prova. Foi calculada quanta força seria necessária para alterar fisicamente a estrutura de uma fáscia densa, como a da lateral da coxa ou da sola do pé. Você tem um palpite do resultado desse experimento? Seriam necessários mais de 800 kg de força para deformar a fáscia em apenas 1%.


Homem de bruços numa maca de massagem com peso gigante de 800 kg nas costas, em estúdio sombrio e dramático.

Ou seja, se toda essa pressão fosse usada, um mínimo resultado seria alcançado ao custo de lesões na pele e nos tecidos mais superficiais. Mas então vem a pergunta que você provavelmente está se fazendo nesse exato momento. Se a fáscia não mexe com o uso da força, como a massagem funciona e a sensação de alívio é real? A resposta está em um personagem muito importante da nossa história: o sistema nervoso.


A Fáscia é um Órgão Sensorial (E Fala com Seu Cérebro)

Pesquisas promovidas pelo especialista em anatomia Dr. Robert Schleip demonstraram que a fáscia não é apenas um invólucro inerte; ela é o nosso maior órgão sensorial para a propriocepção (a percepção do próprio corpo). A fáscia é repleta de mecanorreceptores — que são uma espécie de "sensores" que medem pressão, estiramento e movimento e enviam essas informações direto para o cérebro. Esses sensores podem exercer diferentes atividades:


  • Sensores de velocidade: Reagem a movimentos rápidos ou vibrações.

  • Sensores de estiramento e pressão lenta: Reagem a toques profundos, firmes e contínuos.


Quando um terapeuta aplica uma pressão firme, lenta e contínua, como é comum na Deep Tissue, esses sensores enviam uma mensagem ao cérebro dizendo: "Está tudo bem, estamos em segurança". Em resposta, o cérebro reduz a produção de hormônios do estresse, diminui o ritmo cardíaco e envia um comando de volta para os músculos: "Podem relaxar".


Portanto, a "liberação" que você sente após uma sessão não é o tecido sendo esmagado, mas sim o seu cérebro autorizando o músculo a soltar a tensão. Para entender melhor isso, tente prestar atenção nesse momento que você está lendo esse parágrafo em alguma parte do seu corpo que possa estar tensa.


Talvez seu ombro esteja retraído em direção à orelha. Ou o seu maxilar está apertado forçando os dentes de cima contra os de baixo. Se você percebeu algum músculo tenso, comande ao seu cérebro o relaxamento. Você provavelmente já vai perceber a diferença na hora.


O Que Acontece Quando a Massagem Dói Demais?

Quando a pressão ultrapassa o limite do conforto e se torna uma dor intensa, o cérebro interpreta aquela massagem como uma ameaça ou agressão.


De acordo com estudos sobre a neurobiologia da dor (como os publicados pelo pesquisador Joel Bialosky), diante de uma dor intensa, o cérebro ativa o sistema nervoso simpático — a nossa resposta natural de "luta ou fuga", que nos acompanha desde o tempo em que o mundo era um ambiente hostil à sobrevivência e lutar ou fugir era literalmente uma questão de vida ou morte.


As consequências de uma massagem excessivamente dolorosa durante o tempo todo ou na maior parte do tempo incluem:


  1. Contração defensiva: O corpo se tensiona para proteger a região do impacto. Em vez de relaxar, o músculo fica ainda mais rígido. Quando você tenta relaxar já vem outro movimento pesado e te deixa tenso novamente.


  2. Aumento do estado de alerta: Sua respiração fica curta, os batimentos aceleram e a mente se mantém vigilante. O cérebro não pode desligar, afinal uma suposta ameaça está à espreita o tempo todo.


  3. Facilitação da dor: Em vez de desativar os pontos de dor, o excesso de estímulo doloroso pode deixar o sistema nervoso ainda mais sensível. Os receptores da dor e da sensibilidade estão sendo ativados o tempo todo.


O raciocínio é simples: Se em um momento ou outro surgiu um desconforto um pouco mais intenso, mas logo passou, está tudo sob controle. O caminho rumo ao relaxamento está sendo percorrido. Mas se você precisa prender a respiração, apertar as mãos ou contorcer o rosto durante a massagem, a pressão passou do ponto. O seu corpo parou de relaxar e entrou em modo de defesa.


As Duas Vertentes da Massoterapia

No universo das terapias corporais, existem basicamente duas visões:

Visão Tradicional (Biomecânica)

Visão Moderna (Neurobiológica)

Premissa: O corpo é uma máquina rígida que precisa ser consertada ou alongada na força.

Premissa: O corpo e a mente formam um sistema integrado e inteligente.

Foco: Romper nós de tensão e aderências musculares.

Foco: Reeducar o sistema nervoso e desativar o alarme de dor do cérebro.

Lema: "Sem dor, sem ganho". Se não doer, não está fazendo efeito.

Lema: "Conforto produtivo". A pressão deve ser firme, mas acolhedora.

Resultado comum: Manchas roxas, dor pós-massagem e tensão defensiva.

Resultado comum: Alívio profundo, sensação de leveza e relaxamento duradouro.


Atualmente acredita-se que a abordagem neurológica é a que oferece os melhores resultados a longo prazo, pois respeita o ritmo do seu corpo e entende a inteligação entre corpo e cérebro. Não há espaço para relaxamento em uma sessão que induz a mente a estar sempre alerta e a ativar o sistema simpático para se esquivar das ameaças. A mente precisa se sentir segura para que o músculo finalmente solte a tensão acumulada.


Então a Pressão Intensa na Massagem é Inadequada?

Depois de toda essa análise, será que no fim das contas a massagem Deep Tissue deve ser leve como um carinho? De maneira alguma.


O termo Deep Tissue significa literalmente "tecidos profundos", portanto o terapeuta precisa uma pressão firme, precisa e constante para alcançar as camadas mais profundas da musculatura. O principal ponto é a velocidade e a condução.


  • O toque ideal: É aquele conhecido como a "dor boa" ou "o ruim bom", como costumamos falar nos atendimentos. Você sente que a região está sendo trabalhada de forma intensa, em alguns momentos até aperta os olhos e sente o corpo se contrair, mas logo consegue respirar fundo, relaxar os ombros e aproveitar a sensação de alívio.


  • O vetor correto: Terapeutas experientes usam o peso do próprio corpo e movimentos angulares lentos, alternando a distribuição do peso e a angulação do movimento conforme cada parte do corpo e o grau de sensibiidade de cada pessoa, permitindo que a musculatura "abra espaço" para o toque, em vez de forçar o resultado de forma abrupta.


O Relaxamento é a Sua Maior Ferramenta de Cura

Agora que tudo ficou mais claro, na próxima vez que você for agendar uma sessão de Deep Tissue ou Liberação Miofascial, lembre-se: nem sempre a famosa "mão pesada" do terapeuta siginifca resultados garantidos.


A liberação muscular acontece na conversa entre as mãos do terapeuta e o seu sistema nervoso. Ao induzir de forma intencional e proposital o corpo e a mente a um estado de relaxamento e segurança, os "nós" se desfazem de forma natural, eficiente e sem traumas.


Se o seu objetivo é se livrar das dores, restaurar a mobilidade e renovar as energias, escolha uma abordagem que cuide de você por inteiro — sem dor desnecessária. Aqui no Espaço Holístico Sinergia o relaxamento começa desde a ambientação da sala até a condução de cada minuto da sua sessão.


Agende aqui a sua sessão ou contate-nos através do WhatsApp (11) 96029-7807.

Referências:





Gellhorn (1967): Principles of Physiological Integration: Autonomic-Somatic Interactions (Livro clássico sobre fisiologia autônoma e interações somáticas)

Esse artigo foi roteirizado e revisado por Marcel Guérios, com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial para buscar, traduzir e resumir as referências técnicas.

 
 
 

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